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“Ser delegada me partiu em muitos pedaços, mas me fez mais forte” — as memórias que Dorean Soares carrega depois que pendurou a farda

Em um relato publicado nas redes sociais, a delegada aposentada revisita as dores da missão e a força que nasce das cicatrizes.

Atualizado em 19/12/2025 às 20:12, por Danilo Guerra.

Na foto, apareceu uma mulher vestida de preto, delegada de polícia

Crédito: Reprodução/Instragram

No mês em que se celebra o Dia do Delegado de Polícia, a delegada aposentada da Polícia Civil da Bahia, a feirense Dorean Soares, decidiu revisitar a própria história. Não a partir de números, cargos ou operações, mas das memórias que permanecem mesmo depois que a farda é pendurada. Em uma postagem publicada nas redes sociais, em 03 de dezembro, Dia do Delegado, além de homenagear os colegas que ainda estão na ativa, ela transformou a data em um relato profundo sobre missão, renúncia e resistência.

Ao escrever, Dorean deixou claro que não falava apenas da profissão. Falava da vida que foi atravessada por ela. “Hoje, no Dia do Delegado de Polícia, eu não falo apenas da profissão. Eu falo da minha vida. Da minha história”, afirmou, abrindo um testemunho que revelou o lado invisível da carreira policial. (Ao final dessa reportagem, você poderá ler o relato na íntegra direto da rede social da delegada)
 

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Eu me reverencio e reverencio todos os delegados que escolheram viver o que poucos suportariam

Dorean Soares, delegada

Mãe e avó, especialista em Direito Penal e Ciências Criminais, professora e palestrante, Dorean construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a justiça e pela sensibilidade diante da dor humana. Em Feira de Santana, foi uma das primeiras delegadas titulares de uma unidade com atendimento especializado à mulher, atuando diretamente na proteção de vítimas em situação de vulnerabilidade.

 ‘Se eu não voltar… eu te amo

Na rede social onde tem mais de 35,6 mil seguidores, ela reforça que nunca enxergou a delegacia como um simples espaço de trabalho. “Ser delegada, para mim, nunca foi um cargo. Foi e sempre será uma missão.” Uma missão que exigiu sacrifícios silenciosos, ausências prolongadas e despedidas que muitas vezes carregavam mais medo do que palavras. “Eu sei o que é sair de casa e olhar para a família com aquele nó na garganta… aquela despedida silenciosa que diz tudo sem dizer nada: ‘Se eu não voltar… eu te amo’.”

As memórias que Dorean carrega além da farda também incluem perdas que não aparecem em relatórios. Festas que não pôde viver, domingos que não voltaram e o impacto da ausência na vida de quem ficou esperando seu retorno da delegacia. “Sei das ausências que doem”, escreveu, dando voz a uma realidade compartilhada por muitos profissionais da segurança pública.

Mesmo quando o corpo pedia descanso e a alma clamava por paz, ela permaneceu. Não por obrigação institucional, mas por propósito. “Segui porque sei o valor da vida de cada vítima que atendi”, registrou. Ao longo da carreira, mulheres, crianças e famílias inteiras encontraram em Dorean não apenas uma autoridade, mas alguém disposta a ser escudo em meio ao caos.

Pendurou a farda, mas não aposentou a coragem 

O preço dessa escolha foi alto. “Ser delegada me partiu em muitos pedaços”, confessou. A profissão deixou marcas, dores e cicatrizes. Mas também a reconstruiu. “Me reconstruiu em versões mais fortes”, afirmou, resumindo uma trajetória feita de resistência, responsabilidade e coragem diária.

Depois de 30 anos de serviço prestado à segurança pública, Dorean sentiu que sua missão estava cumprida. Em 2023, aposentou-se oficialmente. Pendurou a farda, mas não a coragem. As memórias, como ela mesma revela, seguem vivas — não como peso, mas como legado.

Hoje, ao olhar para trás, a delegada aposentada faz questão de afirmar que nunca foi movida por holofotes. “O que me moveu nunca foi o holofote… foi o amor pela minha profissão.” Ao reverenciar a própria história, ela também homenageia os colegas que seguem na linha de frente e as famílias que, segundo suas palavras, “pagam essa conta junto com a gente”. 

Ela encerra o texto dizendo: “Hoje, eu me reverencio e reverencio todos os delegados que escolheram viver o que poucos suportariam”. 

Clique na imagem abaixo e leia o relato na íntegra.